quinta-feira, 15 de julho de 2010

Destino

Sonhando, deparo-me com três figuras estranhas, três mulheres: uma velha, uma moça e uma menina, estranhamente alinhadas, vestes negras, olhar sombrio, e com um ar de eternidade pairando sobre elas. Parecem intocáveis, vivem sorrindo ao fazer sempre o mesmo trabalho, parecem tecer alguma coisa. Não! Não estou sonhando.

Tecem um único fio o cortam de vários tamanhos e novamente o cortam ao meio, no meio de tantos cortes e esforços que elas fazem há uma canção, parecem lamentações, choros a cada momento que passa novas vozes vão se integrando ao coro.

Não parecem se incomodam com o barulho, parecem até cantar junto com o coro, uma delas, a mais velha me da um sorriso e parece me chamar para pertos delas. Ao meu aproxima a menina me puxa.

Nesse momento recordo do meu passado... me recordo de um momento e no mesmo instante a menina se afasta e juntas, pegam o fio cortam um determinado tamanho. A mulher de meia idade me entrega uma tesoura dourada.

As três mulheres sorriem um sorriso gélido e cruel... Porém com sorrisos sinceros, nesse curto espaço de tempo minha mente se esvazia e rapidamente me aproximo do fio que está esticado por duas das três mulheres. Com a tesoura na mão não êxito, estou tão feliz quanto elas em poder cortar esse simples fio.

Pronto, o fio está cortado! Agora vejo todos rindo, com um tom sombrio, em instantes tenho a sensação de ver um vulto. Não! Tenho certeza de ver a imagem de alguém em minha frente... Assim é você! É tu, a imagem vista pela menina.

O que acontece? Parece fluida e apagada, como se estivesse morta. As três mulheres dão-me um olhar, de fato... Você está morta, mas por quê? Agora eu vejo tudo mais claro, as três mulheres não são apenas tecelãs, são as Irmãs Destino, aquelas cujo trabalho é tecer o fio da vida de cada ser existente e decidir a vida e a morte.

Era para eu estar triste, pois fui eu que decidi o seu fim, mas não estou, pelo contrário estou feliz e mais leve, você agora não é nada mais do que uma miragem, um passado muito distante agora vá! Desapareça! Minha vingança foi feita, veja agora que do mesmo sentimento que eu senti você está sentindo.

Se bem que mortos não sentem nada, pois é! Nem o doce desejo de vingança agora terá. Devolvo a dourada tesoura que pôs um fim a minha tristeza e me despeço delas. Aliviado sigo meu caminho, quem sabe não terei outra oportunidade... Acho que não...

Nenhum comentário:

Postar um comentário