Quem disse que a vida após a morte é um belo campo ou um recanto de descanso?
Morri em um abismo nos confins do mundo.
A vida após a morte, pelo menos a minha, se apresenta como uma pequena praia e um caminho levando a uma luz no final do mesmo. Tudo é coberto por névoa, o mar não tem mais seu melódico som de ondas se chocando contra a praia ou contra o caminho de pedras que jaz à minha frente.
Levantei-me da beira da praia onde tinha acordado, olhei para todos os lados mais uma vez. Minha primeira análise do lugar era verdadeira, um fino caminho de pedras - ou será que eram ossos? - cercado por todos os lados pelo vasto e silencioso oceano desprovido de qualquer sinal de vida. Uma pequena luz, que desaparecia e reaparecia em intervalos regulares, se destacava no horizonte, na direção do caminho.
Durante meus dias no mundo fui um grande viajante, e não seria em morte que minha curiosidade me abandonaria. Para minha grande surpresa, todos os meus pertences ainda estavam comigo, incluindo a espada que me foi deixada por meus antepassados. Comecei minha caminhada.
Andei por um tempo incompreensível. Notei um de meus mapas flutuando no oceano e recuperei-o. Algumas horas após tal feito, deparei-me com um homem sentado em um pequeno monte de pedras (ossos), o cansaço e o medo desfiguraram o que um dia foi o rosto de meu irmão.
- O que fazes aqui, meu irmão? Pensei que estivesse com nossa família, a salvo, em nossas terras ao sul - perguntei, sem saber ao certo por que não estava surpreso.
- Ele veio, irmão! A Revolução e seu líder sem nome destruíram tudo! Estamos todos mortos! Todos!
Antes que pudéssemos trocar mais alguma palavra, meu irmão foi puxado para dentro das águas, e, mais uma vez, apenas o silêncio restou. Tal silêncio, meu único companheiro verdadeiro companheiro, tanto em vida quanto nesta bizarra clareira ao fim do caminho, foi rompido pela seguinte voz, que soava mais como um sentença que como um aviso:
"Abandon thy journey, or face Truth."
"O que poderia estar me esperando, nesse caminho obscuro e incerto, capaz de me oferecer a Verdade? Será que finalmente encontrei? Será que vaguei por todos os cantos do mundo, à procura de Respostas, e elas me esperavam, pacientemente, em morte? Tenho de prosseguir, tenho de avançar sobre essa trilha inóspita e chegar à verdade." Com esses pensamentos determinei meu objetivo mas, antes que pudesse prosseguir, deparei-me com um pequeno anel dourado em meio a algumas pedras (ossos). Em sua parte externa lia-se a solitária inscrição:
"Principium"
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