quinta-feira, 8 de julho de 2010

Orpheu

Diante de sua musica melancólica, me rendo em sua lira. A mesma canção que me alegra me entristece, as duras faces de quem chora se tornam flácidas quando te ouvem, nessa ilusão todos nossos medos e demônios são inexistentes. A paz de seus dedos me emociona me toca o coração.

Sim Orpheu! Assim como você já perdi muito, já perdi meu amor, a dor não mais me acompanha só as vagas lembranças, do meu infortúnio. Mas em tua canção ainda encontro esperança, mesmo que distante tento me agarra nela.

Mostra-te tão arrependido de não obedecer as ordens, eu? Pelo contrario gostaria de ter renegado por aqueles instantes todas as regras, mesmo assim não fui capaz, agora novamente tua sonata se torna melancólica igual às lamurias daqueles que sofrem em seus castigos.

Mesmos eu que não desobedeci nada, sou castigado pela dor, a distancia me machuca, a fraqueza me consome, semelhante a musica que tocas. Percebo que mudaste a nota, seria pelo seu bem amado? Não! Mudou a nota, pois esta cansado, de tanta tristeza que te rodeia.

Agora tudo parece mais limpo, o campo parece mais aberto, as flores parecem se embalar pela sua musica o vento agracia teus dedos, tua musica novamente me reconforta. Pare! Não me faça chora, já não tenho mais forças, já não aguento me ver nesse estado.

Sua musica continua a me reconforta, agora sim me vejo saindo do meu mundo sombrio, você conseguiu, me tirou da minha eterna culpa, retirou tudo que eu achava de errado. Sou lhe grato por isso Orpheu sabe que mesmo diferentes um do outro, compartilhamos de uma tristeza, por não saber que caminho trilhar.

Vejo-me agora feliz. Espere! Tudo volta a fica escuro tua musica volta a fica melancólica porque muda a nota? Assim volto do meu sonho, me vejo ao lado dos meus demônios, os mesmos que distante ficaram enquanto a sua lira tocava Orpheu.

Já nem o escuto mais, já ficou perdido no campo, no tempo, novamente eu e ele estávamos na solidão, o instante que se tornava um absinto agora se torna o mais amargo veneno. Bem voltarei a revelo a tocar sua lira.

Quem sabe nós não conseguiremos sair desse vazio e buscar novamente a felicidade? Enquanto isso voltará a dormi pensando nos momentos que ainda me restam e que ainda guardo no coração, como hoje.

Amanha quem sabe junto a minha confusão de sentimentos, procurarei a felicidade que perdi.

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